eugenio de andrade, portugal
AS PALAVRAS
São como um cristal, as palavras. Algumas, um punhal, um incêndio. Outras, orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória. Inseguras navegam; barcos ou beijos, as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes, leves. Tecidas são de luz e são a noite. E mesmo pálidas verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem as recolhe, assim, cruéis, desfeitas, nas suas conchas puras?
De Coração do Dia (1958) tomado de Poesia.net (director carlos Machado. seleccion de esa edicion 168: Luíza Mendes Furia)
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Por lobitogabriel - 8 de Diciembre, 2006, 8:38, Categoría: poesia
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